quinta-feira, 29 de julho de 2010

Anatomia

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Meu perfume não é importado, minha maquiagem não é hipoalergênica,minha bolsa não foi cara, não fui à Disney com 15 anos,dependo de caronas,minhas roupas são sempre as mesmas,na minha mão: uma camada de renda,nos meus pés:aqueles lindos sapatos que ainda não possuo,na minha mente muitos sonhos, e no meu coração? Vazio.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Sobre beleza,livros e analogias

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Já dizia Vinicius de Moraes:" As feias que me desculpem mas beleza é essencial."Em um mundo onde reina o aparente politicamente correto,e os grandes clichês tem poder,muitos acham que analisar a beleza física de uma pessoa é feio. Mas vamos ser sinceros?Ninguém gosta de feiúra.Fazemos escolhas que envolvem julgamento de valor estético a todo momento.De objetos de decoração à capa de cadernos,sempre escolhemos o mais bonito..Aquela historia de não se julga um livro pela capa é a maior mentira. Todo mundo escolhe um livro que não conhece, pela capa!Não tem como saber a historia de todos os livros da livraria para saber qual levar.Por isso uma boa capa e titulo instigante é importante, eles são a ponte que leva o leitor a ter o 1° contato com a obra..São neles que estão , todo o propósito e a característica do livro, mesmo que subliminar.Agora,não adianta nada ter uma capa maravilhosa, um titulo bacana se o conteúdo é uma porcaria. Mas, só se descobre o conteúdo depois de julgarmos a capa. Por isso a beleza física é importante, sim senhor!
Analogias à parte, beleza e conteúdo são características que devem andar unidas.Sempre.Odeio extremistas que falam que o mais importante é a beleza interior ou exterior.Não existe isso, uma coisa em detrimento da outra. O mais importante é ter os dois porque sozinho nenhum importa!
Ser bonito é muito fácil, quando se tem dinheiro, roupas de grife, maquiagem de qualidade e um salão de beleza à disposição do seu bolso..O difícil é ser bonito no cotidiano. As pessoas andam confusas com tendências,padrões impostos, enquanto para ser belo basta valorizar o que tem de melhor e ser coerente com a imagem que quer se passar à sociedade. O resto, é aprimoramento.O feio, é aquele que não corresponde plenamente a sua proposta. Essa loucura de plásticas,consumismo desenfreado, nada mais é do que a falta de identidade, afinal conceitos de beleza mudam sempre. Por isso a estética não é uma ciência exata,depende muito mais do subjetivo do admirador do que do objeto admirado. E tem mais, gosto se discute sim! Gostos não discutidos são um prato cheio para o preconceito.É preciso que estejamos mais aptos à conhecer do que à preferir.A beleza é essencialmente sensorial,emocional, e o bom gosto é um toque de racionalidade, de conhecimento e compreensão em um mundo tão subjetivo.
Desde pequenos convivemos com o dogma da relação bonito/feio : a bruxa é má e tem uma horrorosa verruga em seu nariz pontiagudo, Já a fada é boa e linda.. Somos educados assim , educados com a cartilha do belo.E nada vai mudar, o que tem que mudar é o olhar ao admirar a beleza, e englobar determinados conceitos na definição do que é belo. Então vai ai uma dica de beleza: descubra-se, embeleze-se,e tenha um conteúdo interessante. Afinal,segundo Nelson Rodrigues nada mais lindo do que uma pessoa interessante: 'Na "mulher interessante", a beleza é secundária, irrelevante e, mesmo, indesejável. A beleza interessa nos primeiros quinze dias; e morre, em seguida, num insuportável tédio visual. Era preciso que alguém fosse, de mulher em mulher, anunciando:
- "Ser bonita não interessa. Seja interessante!"

terça-feira, 13 de julho de 2010

Classificados

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Procura-se: INSPIRAÇÃO
-Vista pela ultima vez em uma noite de insônia.
-Recompensa: muitas palavras, algumas constatações, e talvez,boas ideias.
Qualquer informação contatar esta que vos fala.
Obrigada.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Tesouros Ocultos

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Oi.Bom,a melhor coisa para sarar uma eventual crise de identidade,que às vezes todos nós estamos à mercê, é pesquisar sobre sua vida antes mesmo dela existir.Não,não estou dizendo sobre regressão e vidas passadas. Mas sobre o passado daqueles que te deram a vida.Mamãe não gosta muito de falar do que se passou.Nunca gostou.Ela é adepta da filosofia: vivo o hoje,espero um amanha melhor, e o que passou passou, acabou.Eu que sou um tanto quanto saudosista fico irritada às vezes.Então,adoro mexer nas coisas d mamãe,fotos,bilhetes,objetos,e principalmente as cartas. E foi numa dessas minhas procuras ao meu tesouro ancestral oculto e preservado,que encontrei uma carta da minha tia para mamãe com trechos de um livro chamado A Vagabunda, de Gabrielle S. Colette, uma escritora francesa da primeira metade do século XX, que eu não conhecia e agora quero muito ler e conhecer.Achei o trecho oportuno e resolvi publica-lo como meu 1°post nesse bog.

"(...)escrever! poder escrever! isto significa o longo devaneio diante da folha em branco, o rabiscar inconsciente, o brincar da pena que gira em torno do borrão de tinta, que mordisca a palavra imperfeita, enche de garras, de flechazinhas, orna-a de antenas, de patas, até que ela venha a perder a sua figura legível de palavra, metamorfoseada que foi em fantástico inseto, borboleta-fada que alçou seu vôo. escrever. .. É o olhar fixo, hipnotizado pelo reflexo da janela sobre o tinteiro de prata, é a divina febre que assoma às faces, à fronte, enquanto uma bem-aventurada morte gela sobre o papel a mão que escreve. É também o pleno olvido da hora, a indolência no macio diva, essas bacanais do espírito inventivo donde saímos curvados, embrutecidos, mas já recompensados, mensageiros dos tesouros que, sob o pequeno círculo de luz que a lâmpada descreve, serão entornados na página virgem ... escrever! tentação de purgar raivosamente tudo de mais sincero que nos vai pela alma adentro, e rápido, com aquela rapidez que faz a mão relutar e protestar contra o deus impaciente que a guia. .. depois encontrar, no dia seguinte, em vez do ramo de ouro, miraculosamente desabrochado na hora flamejante, um espinheiro seco, uma flor abortada. . escrever! gozo e sofrimento dos ociosos! escrever! . . . bem que experimento, de tempos em tempos, essa necessidade, intensa como a sede no verão, de anotar, de exprimir... e pego então da pena, para dar início àquele jogo perigoso e traiçoeiro que, através do bico duplo e flexível, apanha e fixa o mutável, o fugaz, o apaixonante adjetivo... mas não passa de uma curta crise, prurido de uma velha cicatriz. .(..)"
 

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